Centro Cultural de Araras

Centro Cultural de Araras

O desenvolvimento do centro-oeste paulista foi promovido graças à expansão do sistema ferroviário. A estação de Araras entrou em funcionamento em 1877, como ponta de linha do ramal da Companhia Paulista que partia de Cordeirópolis. A rápida expansão da malha ferroviária garantiu maior importância à estação. A construção original, um galpão de madeira, foi substituída por uma edificação em alvenaria em 1882. O prédio sofreu várias reformas durante as primeiras décadas do século XX. Os armazéns foram construídos em 1887 e 1924. A estação atendeu o transporte de passageiros até 1977 e os trens cargueiros cessaram suas atividades no final da década de 1980. Aos poucos os trilhos foram sendo retirados e as edificações abandonadas. Além do desgaste natural o conjunto foi vandalizado e abandonado. O grave processo de deterioração apagava parte da história ferroviária e da cidade de Araras. No ano de 2003, por uma iniciativa da ACAAR – Associação de Cultura e Artes de Araras, o Instituto de Arquitetos do Brasil juntamente com a Fundação Bienal de São Paulo organizaram o concurso nacional para a requalificação da antiga estação ferroviária de Araras com o propósito de transformá-la num Centro Cultural.

A intervenção no conjunto existente teve como objetivo resgatar e valorizar as características históricas de cada construção, através da restauração de seus elementos construtivos e da inserção de novos atributos relativos à mudança de uso. Os novos itens incorporados ao patrimônio são característicos da contemporaneidade. Assim reforçamos a distinção entre a intervenção e a originalidade do conjunto. Funcionalmente, o partido foi pautado na distribuição do programa de necessidades pelas construções originais, na criação de uma nova edificação para complementação do espaço necessário e na expansão, através de uma nova estrutura, da área coberta da antiga garagem. Os compartimentos internos são novos e visam atender ao atual uso do prédio: área administrativa do centro cultural. Toda a caixilharia também é nova e conta com características contemporâneas, despojadas de adornos.

Os antigos armazéns que antes serviam como depósito de materiais e mercadorias para a ferrovia agora abrigam cultura. O mais novo, construído na década de 1920, tornou-se o salão de exposições. Contíguo a ele, o armazém primitivo, que possuía porão alto, era o mais propício para abrigar o auditório. A porção central do galpão foi reservada para as instalações sanitárias e para a cozinha que oferece suporte à lanchonete da área do foyer. O bloco isolado que outrora serviu como residência do chefe da estação teve todas as suas feições reconstituídas e hoje abriga o apoio aos funcionários do Centro Cultural.

A plataforma da estação atua como elemento integrador do conjunto edificado. A cobertura da mesma foi estendida através da construção de uma marquise de concreto que atua como uma nova estrutura de conexão: um novo elemento que valoriza as edificações remanescentes, configura novas áreas de convivência e estabelece relações com espaços internos e externos. A marquise se expande na porção central do terreno de modo a criar um abrigo para o espaço de convivência.

A linearidade do complexo foi reforçada através das novas edificações propostas, construções que fazem alusão ao antigo uso do sítio. Um espelho d´água com 245m de comprimento faz alusão aos trilhos de antigamente, atua como fator de valorização das edificações e contribui para o conforto ambiental do conjunto. Pousado sobre o espelho d´água, no centro do sítio, o novo bloco destinado aos ateliês e à biblioteca remete a um grande vagão. Projetado com estrutura de aço corten propõe-se a desmaterialização desse volume transformando suas fachadas em elementos translúcidos mudando o modo de percepção do volume para uma idéia de “pele”.